Quando fui convidado para escrever na categoria “Rebobinando”, logo veio à mente, além de muitas músicas consideradas “das antigas”, a lembrança de infância que tenho das fitas k7. Deve ser um termo estranho para boa parte dos nossos leitores e, por isso, acho melhor, antes de tudo, explicar o ato de rebobinar: rebobinar significa, tecnicamente, retroceder, por a fita magnética em seu estado inicial – para assim – poder escutar novamente a sequência de músicas gravadas. Poeticamente, lembro que a limitação desses equipamentos fazia do rebobinar um ato de amor pela canção. Você voltava a fita por querer ouvir novamente uma música que agradou. É o que me proponho aqui, rebobinar boas músicas.

Claro! Eu não poderia estrear no “Rebobinando” sem falar de algo que ouvi nessa plataforma ultrapassada. Não lembro como essa fita chegou às minhas mãos, talvez fosse da minha mãe, talvez tenha sido produto de alguma das lojinhas de CDs usados que havia em João Pessoa no início dos anos 2000. Sei que entre a primeira faixa, “Open”, e a última, “End”, cada canção foi trilha da minha vida colegial.

A sequência “Friday I’m In Love”, “Trust” e “A Letter to Elise” é, de longe, a seção mais desgastada dessa tape. Sim! A fita desgastava, perdia magnetismo, apagava com o mau uso ou com o uso excessivo. A k7 dos Mamonas Assassinas é uma boa prova disso, mas falarei dela em outro texto.

Particularmente, “Wish”, é um dos melhores álbuns de estúdio do The Cure. As canções, quase todas compostas por Robert Smith, são um mergulho em um universo melancólico e esperançoso. Quase bipolaridade. Muito aguardado pelos fãs da época, perdido na estranheza da década de 1990 é, para muitos, como o último insight do The Cure da década de 1980, começando após ele a nova fase da banda.

Um álbum recheado com dobras de guitarras, bons sintetizadores e o arranjo vocal inconfundível do Robert.

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