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Foto: Rafael Passos

No carnaval de 2016, o Rec-Beat Apresenta cruzou a fronteira do Pernambuco e aportou em João Pessoa, cidade que fica a menos de 2 horas do Recife e cujo intercâmbio de cultura é intenso. Com três edições realizadas na capital pernambucana, o evento que é uma prévia do Festival Rec-Beat, o qual existe há 21 anos, foi realizado pela primeira vez nas terras da capital paraibana. Essa proximidade tanto geográfica quanto simbólica contribuiu para que se consolidasse a parceria e a vinda do festival. Realizado pela Rec-Beat Produções, a produtora independente Parahybólica Cultural foi a responsável pela organização do evento em João Pessoa em parceria com a Garatuja Cultura.

Alexandre Santos, um dos integrantes da Parahybólica, destacou a articulação para trazer o evento musical à Paraíba. “Na Semana Internacional de Música de São Paulo conhecemos o Antônio Gutierrez, o produtor e idealizador do Rec-Beat, e lá começamos a criar uma conexão. Moramos em cidades muito próximas, Recife e João Pessoa tem uma hora e meia de distância. É um primeiro contato entre essas duas cenas (culturais) para que nós possamos estabelecer fluxos cada vez mais constantes de bandas não somente da Paraíba e Pernambuco, mas do Brasil inteiro”, ressaltou.

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Foto: Rafael Passos

Ainda sobre o processo de trazer o Rec-Beat Apresenta para João Pessoa, Alexandre destaca que tudo aconteceu de forma natural e houve um interesse mútuo. “Trocamos contatos, materiais e o Guti (Gutierrez) já conhecia o nosso trabalho. Então, foi uma convergência de expertises de confiança e de vontades, do desejo de fazer o festival se expandir. O festival teve um corte de 50% do orçamento e de repente ele extrapola o próprio Recife. No ano em que recebe um corte, ele amplia seu raio de alcance e chega a João Pessoa para estabelecer essa ponte”, explicou.  Alexandre vai além e revela que a realização do Rec-Beat na capital paraibana tem um significado maior. “Não é só trazer a marca do Rec-Beat, mas estabelecer um momento para a cena cultural de João Pessoa em que a gente consiga dizer que a cidade é um circuito para as grandes bandas do Brasil”, defendeu.

Os shows de João Pessoa contaram com a presença do cantor paulista Liniker e da banda potiguar Luísa & Os Alquimistas – que também integram a programação oficial do Rec-Beat 2016 – e as atrações locais Evoé! e DJ Kylt. Realizado esse ano com metade da verba prevista, o festival conseguiu manter o nível das atrações e, por conseguinte, o interesse do público.

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Foto: Rafael Passos

Tendo como sede pessoense o espaço do Ateliê Multicultural Elioenai Gomes, no Centro Histórico, o Rec-Beat Apresenta teve um público expressivo, que reuniu tanto quem já frequentava o circuito alternativo até foliões vindos do Cafuçu, tradicional bloco de carnaval da cidade. A ideia de uma programação de música alterativa durante o período de carnaval agradou quem veio conferir. Mônica Ervolino disse achar “superlegal ver o Rec-Beat se expandindo, abrindo seus braços e vindo para a região”. “João Pessoa é muito carente desse movimento cultural. O Rec-Beat vindo pra cá eu acho muito representativo”, enfatizou ela, que disse ainda que o que mais desperta interesse no festival “é o alternativo, é lado B, que é diferente do que rola no grande carnaval”. Emanuel Luís foi na mesma linha e destacou que o “evento acolhe as pessoas que curtem esse som, que curtem essa energia”. “Eu acho legal na cidade ter várias opções para que as pessoas possam escolher os espaços aos quais elas possam melhor se adequar”, concluiu.

Sobre o Festival Rec-Beat

Com 21 anos de estrada e conhecido por abrir espaço para artistas da cena alternativa da música, o evento já faz parte do calendário cultural da cidade do Recife, capital de Pernambuco, onde é realizado desde 1999 (entre 1995 e 1998 o festival aconteceu em Olinda, cidade vizinha) durante o período carnavalesco.

Surgido na esteira do movimento Manguebeat como um espaço de projeção para artistas locais que não tinham inserção no circuito convencional, o Rec-Beat foi responsável pelo lançamento de bandas como Cordel do Fogo Encantado (1999) e F.U.R.T.O (2005), pelo retorno da Nação Zumbi (1999) e da banda Ira! (2000), a reunião da banda Fellini (2000) dentre outros acontecimentos culturais relevantes que tiveram vez no palco do festival.

Sandro Alves de França
Sobre o autor

É graduado em Letras pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), estudante de Jornalismo da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), professor de Literatura e produtor cultural independente. É também Editor Geral do site sobre cinema Janela 7, repórter e colunista do portal de notícias Paraíba Já.

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