Quase um mês depois de lançar o single “Destemida” – música que dá nome ao novo trabalho -, e o videoclipe, a Bande Dessinée lança o seu segundo álbum autoral nesta quarta-feira, 16, em seu canal no YouTube e no site da banda. A produção do grupo nos deu acesso para ouvir o álbum, Destemida, por completo e – consequentemente – dar opinião.

A evidente crescente de bandas e artistas, no cenário da música independente nordestina, está ganhando mais força a cada dia que passa e, a Bande Dessinée é um excelente exemplo dessa safra em ascensão. A banda tem nove anos de estrada e lança seu segundo trabalho – o primeiro foi Sinée Qua Non (2011) – com músicas autorais e mais voltado para o pop. O intervalo de quatro anos, entre um trabalho e outro, foi crucial para que a banda refletir-se seu conceito musical e se reinventasse com algo novo, diferente e autoral, para se consolidar de vez na cena musical nacional contemporânea.

Capa do novo disco da Bande Dessinée. Foto da Capa: Helder Tavares; Performers da capa: Jorge Kildery e Rebeca Gondim

Capa do novo disco da Bande Dessinée. Foto da Capa: Helder Tavares;
Performers da capa: Jorge Kildery e Rebeca Gondim

Escutei o disco algumas muitas vezes e é perceptível, em Destemida, a intensidade e cadência nas músicas, a minúcia quanto a produção das faixas (tanto nos arranjos quanto nas letras), além dos temas trabalhados nelas, como a mulher e a cidade do Recife. Além disso, ao ouvir o disco você tem a sensação que existem dois discos em um só. Eu explico: o álbum é composto por 10 faixas que são: Destemida/ Satisfaz/ Perdizes/ Pé na estrada/ Sossega o coração/ Brise/ Isabelle/ Estelita/ Arrefecer/ Todo canto é mar. A primeira metade do disco é bem dançante, com uma sonoridade destoante; a segunda é mais cadenciada e solta.

É evidente, neste trabalho da Dessinée, o culto a cidade do Recife, ou somente as noites recifenses, em comunhão com outros temas ligados a mulher, como em “Perdizes” e “Estelita”. Também destaco “Sossega o coração” e “Brise”. A primeira, une música clássica, batida eletrônica e um frevo moderno. A outra remete ao passado da banda, sendo a única faixa em francês e o suingue do iê-iê-iê, ritmo da década de sessenta.

O sexteto pernambucano é composto por Clarice Mendes (Voz e Vocais), Barro (Voz e Guitarra), Ed Staudinger (Teclado, Sintetizador e Programação), Márcio Oliveira (Trompete), Miguel Mendes (Baixo) e Thiago Suruagy (Bateria). A banda contou com a participação dos músicos nova-iorquinos Andrew Smith (violino) e Andrea Mills (violoncelo), ambos parceiros do compositor alemão Hans Zimmer (de filmes como Rei Leão, Batman e A Origem).

 

Pedro Neri
Sobre o autor

Pernambucano radicado na Paraíba. Estudante do curso de Jornalismo da Universidade Federal da Paraíba. Filho de pais músicos (mas tocar que é bom, nada. Só arranha um cavaquinho). Eclético no modo de apreciar a boa música. Mas, o que é a boa música?

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