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Foto: Kamylla Silva

Finalmente, aconteceu. Foram muitos anos de espera e ansiedade do público paraibano para receber Cícero, que começou sua ascensão de reconhecimento desde 2011. O dia 27 de maio de 2016 ficará marcado pelo encontro da música intimista, poética e universal do cantor carioca com a Parahyba. Dos gestos mais simbólicos, a liberdade de interpretação de cada um sobressaia ao que acontecia ao redor. Uma noite magistral orquestrada por um de nós, Cícero.

O começo

Era pouco mais de 20h quando a fila já percorria toda a Praça do Povo no Espaço Cultural. Olhos mais do que atentos para a abertura e já prevendo como seria ver pela primeira vez o cantor carioca. Pra quem já tinha esperado mais de cinco anos desde o lançamento do primeiro trabalho dele, aqueles minutos tinham um sabor agridoce: a de faltar pouco para ouvir de perto Cícero em contraste com os minutos que passavam lentamente. Mas, enfim, a porta se abriu para uma noite mais especial do que aqueles olhos videntes imaginavam.

Foto: Igor Duarte

Foto: Igor Duarte

No esquenta, a banda Vieira chegou mostrando o que sabe fazer de melhor: representar – e muito bem! – uma mistura original de sonoridades mistas e a cultura paraibana. Tocaram as músicas do EP Comercial Sul, que lançaram em 2015, e de outros artistas que os influenciaram, além de uma palhinha de Cícero. O repertório, seguido das conversas sempre bem humoradas com o público – “Muito massa estar aqui”; “O nosso EP está à venda, pessoal” -, descontraíram e ao mesmo tempo criaram ainda mais ansiedade para o principal show da noite. Destaques para a música “Quem Diria?”, numa melodia contagiante; o vocalista Arthur Vieira, que soube dialogar com o público e sua voz muito interessante, e o baixista Rhafael Cainã (que voz, cara!). Finalizaram ao som de Último Romance, de Los Hermanos. Um agrado ao público. Uma apresentação muito bem feita, despertando o sentimento de que a música da Paraíba foi muito bem representada.

O show

Mas, enfim, chegou a hora. Cícero subiu ao Teatro de Arena do Espaço Cultural aos gritos do público e já começou tocando “O bobo”, música do álbum – e da turnê – A Praia. O começo estrondoso do show fez o público pular, cantar aos berros sem a preocupação de o dia raiar e até dançar livremente ao redor de todo o palco. As músicas do novo trabalho se intercalaram com os sucessos do primeiro disco, Canções de Apartamento – a grande maioria sabia cada sílaba decorada -, e algumas do segundo álbum, Sábado – sendo um trabalho mais intimista, foi usado no repertório (muito sabiamente) como transições entre momentos distintos.  

 

Em poucos minutos de observações durante o show é facilmente perceptível alguns detalhes. Um deles, a força que a música de Cícero tem para agregar públicos distintos. Ao mesmo tempo em que os mais jovens estavam grudados ao palco pulando e cantando as músicas a plenos pulmões, alguns outros jovens e mais experientes estavam sentados no Teatro de Arena acompanhando com a mesma intensidade e com olhos e ouvidos bem atentos ao que acontecia. De pessoas que vieram com os pais até os grupos de amigos de faculdade. Todos pareciam se sentir representados pelos versos que ecoavam do palco e viam, na poética de Cícero, como pertencentes a aquelas composições, e cada um com sua interpretação.

Do início tímido com o público, Cícero e a banda – que reúne excelentes músicos – foram se aproximando mais a medida que iam tocando. Afinal, era a primeira vez do músico se apresentando em João Pessoa. Depois de um problema no amplificador do cantor, ele aproveitou para conversar mais com a plateia. E foi nesse momento que Cícero confirmou a simplicidade que transmite em cada música. Fez piada e conversou diretamente com o público – declarou que só conheceu o hotel e a praia de Tambaú na capital – para delírio dos fãs pessoenses. Vale também ressaltar a homenagem que fizeram à Paraíba durante uma transição, com um breve arranjo do clássico “Pagode Russo”, de Luís Gonzaga e João Silva, interpretado por Elba Ramalho.

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Foto: Igor Duarte

Os experimentalismos sempre presentes nos três álbuns do cantor ficam ainda mais evidentes na apresentação. A cada música, um detalhe diferente da gravação ou ainda uma toda nova roupagem para a composição. Precisão praticamente cirúrgica dos músicos que acompanham Cícero na execução do setlist, finalizado com “Terminal Alvorada” e, logo após, ao som de “Açúcar ou Adoçante?”, do primeiro disco.

Cícero foi além do esperado. Trouxe música, poesia, leveza, momentos contemplativos e alegria ao público pessoense. A certeza deixada ao final é a que todo mundo quer encontrar ele de novo. E tá tudo bem, acredite. Fazia tempo que a gente não sabia o que era saudade. Volta mesmo, Cícero, e traz mais poesia em cada verso.

Com colaboração de:
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[person image=”http://segueosom.com/wp-content/uploads/2016/05/amor.jpg” name=”Kamylla Silva” subtitle=”” link=”” link_text=”” link_target=”_self”]Paraibana de João Pessoa e estudante de Comunicação em Mídias Digitais da Universidade Federal da Paraíba. Ama produzir conteúdo para web, seja na área de design, redes sociais ou no código de sites. Do forró pé de serra ao folk, não deixa de ouvir uma novidade e saber a maioria das letras das músicas do momento.[/person]
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