Foto: BaianaSystem/Nono

Foto: BaianaSystem/Nono

Em meio ao caos social da cidade com a violência, a desigualdade social e uma mídia sensacionalista – tudo em alta -, a música é um calço para desafogar as aflições, ajudar a refletir e entender os problemas coletivos que nos cerca. Com esse ‘poder’, o BaianaSystem descreve esses fatos sociais em suas letras e, com a junção de elementos musicais regionais como a guitarra baiana ditando o compasso, a mistura de ritmos africanos (Samba, Ijexá, Afoxé, Reggae) com o eletrônico, nasce um som pulsante-latejante.

O nome, BaianaSystem, é uma junção de “guitarra baiana” com “soundsystem” (sistema de som). O termo foi criado e popularizado em 1950 na Jamaica, por pessoas que não podiam adquirir um toca-discos e criavam o seu conjunto de caixas de som. Por assim dizer, além de grupo musical, BaianaSystem é um sistema de som que dá ‘voz’ ao instrumento que fora criado por Dodô e Osmar, em 1940.

Criado em 2009, por Roberto Barreto (Lampirônicos), e com dois discos lançados, BaianaSystem carrega uma missão de modernizar o passado e ressignificar a música baiana. Confesso que não ouvi (ainda) nada igual. É um som diferente. O grupo, composto por Russo Passapusso, Roberto Barreto, Marcelo Seko e Felipe Cartaxo, traz no seu segundo trabalho, Duas Cidades, um projeto mais composto e rebuscado, que gira em torno da cidade vertical polarizada: especulação imobiliária, divisões sociais, diversões, comportamentos, lutas e fé.

Em meio ao boom do axé music e o pagode baiano, BaianaSystem busca inovar, arrisca. Baiana nos mostra que é possível reinventar o som, ter outra visão da cultura regional, a partir das letras e rimas destoantes, bem como usar um instrumento ‘cantante’ (guitarra baiana) que é o coração deste original “fenômeno cultural”.

Eu faço figa pra essa vida tão sofrida terminar bem sucedida

O novo disco do grupo, intitulado Duas Cidades, é composto por doze músicas, valendo destacar “Jah Jah Revolta, pt 2”, a qual abre o disco, “Bala na Agulha”, “Lucro (descomprimido)” e “Duas Cidades”, faixa que dá nome ao trabalho. O álbum conta com as participações de Daniel Ganjaman (Criolo e Sabotagem), o cantor-percussionista, Marcio Vitor (Psirico), o cantor pernambucano Siba, dentre outros.

A vivência muda os olhares e, no novo projeto da BaianaSystem, Duas Cidades, isso é bastante claro – musicalmente e visualmente. Música é vivência. E com ela se reinventa.

Pedro Neri
Sobre o autor

Pernambucano radicado na Paraíba. Estudante do curso de Jornalismo da Universidade Federal da Paraíba. Filho de pais músicos (mas tocar que é bom, nada. Só arranha um cavaquinho). Eclético no modo de apreciar a boa música. Mas, o que é a boa música?

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