O Segue o Som teve acesso exclusivo ao sexto disco do baiano André L R Mendes. “Todas as Cores”, produzido na sala da casa amarelo ouro, vem carregado de boas energias e simplicidade. O lançamento será no dia 15 de julho.

Faz uns anos. Na cidade de Lauro de Freitas, Bahia, quando saía da escola, um colega me apresentou a Maria Bacana. “Os caras andam por essas ruas e tocam na MTV” foi o argumento usado para que eu levasse aquele CD para casa. Na capa, uma menina e uma Barbie. No conteúdo, rock. E este jornalista – que era um menino – gostou de cara. A banda, liderada por André Mendes, gravou um disco pela Universal Music e Rock It, produzido por Dado Villa-Lobos e Tom Capone. Considerada banda revelação pela revista Bizz, chegou ao fim antes mesmo da década de 1990 acabar.

Em 2011, após um longo hiato na carreira, André volta à ativa com seu primeiro disco solo, “Bem-vindo à Navegação”. Desde então foram lançados 5 discos, sempre no dia do seu aniversário, 15 de julho. “Passei uns anos sem produzir uma vírgula, mas um dia deu um estralo que me mostrou que se eu quero que algo aconteça, tenho que fazer rolar”, afirma o músico.

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Foto: Cintia Moreno

Do it yourself

Faça você mesmo se refere à prática de fazer algo por conta própria, em vez de comprar ou pagar por um trabalho profissional. Esse (por que não dizer?) estilo de vida, surgiu durante a cena punk e vem se aplicando em alguns movimentos da música.

André conta que desde o “Surfbudismo”, lançado em 2014, optou por uma produção 100% independente por questões práticas. Compositor inquieto, não teria condições de manter a proposta de lançar um disco por ano se continuasse no modelo de produção convencional, forma que adotou nos seus três primeiros discos. “Produzir com produtor e estúdio é caro, então me joguei no ápice da carreira solo: eu faço absolutamente tudo na minha produção. Componho, arranjo, produzo, gravo, mixo, masterizo, faço o projeto gráfico e o videoclipe”, afirma André, que considera que esse modelo o traz a liberdade que todo artista precisa.

Com a coragem de encarar a empreitada e cercado de recursos tecnológicos que seriam impensados há alguns anos, André L R Mendes se comporta como um artesão de canções. Com maturidade e consciência pós-moderna, trata de coisas corriqueiras da vida com sutileza e leveza.

“Não sei exatamente qual é o meu estilo musical, mas me encaixo como cantautor. Me sinto 50% compositor, 20% instrumentista, 10% cantor e 20% inquieto”, afirma.

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Foto: Cintia Moreno

Todas as Cores

Gravado na sala de sua casa e com a proposta de abordar “a maturidade e a aceitação da vida como ela é”, o sexto disco do músico baiano será lançado em seu aniversário de 40 anos, mais uma data simbólica que se desmancha na nossa modernidade líquida.

“Todas as cores” é um disco diverso, assim como a pluralidade de cores também. São 10 faixas que tratam predominantemente da vida e do cotidiano. Violões, guitarras e baterias programadas, recursos presentes nos dois últimos discos, reaparecem de forma mais equilibrada, denotando o amadurecimento do músico também na função de produtor.

A primeira faixa, “Vida”, traz a ideologia do ‘faça você mesmo’ e a importância das pequenas coisas, contextualizando seu conteúdo literal com o som, que mistura, como em uma paleta de cores, piano rhodes, sampler de bateria e violão. Um quadro bem colorido.

“Despois de tantos naufrágios, a gente aprende a nadar no mar”. A quinta faixa do disco, que ganhou clipe promocional para o lançamento, nos remete a calma que a maturidade tem. Os violões, bem timbrados, são um convite à vida “que não deve ser vivida em vão”.

Um belo disco composto por todas as cores.

Sempre soando tropical, com ar de praia, a obra quase artesanal de André L R Mendes é um fusion de sons, estilos e cores. Em uma época em que a reprodutividade técnica separa a música real da música virtual, artistas da manufatura musical acabam sendo cruciais para a manutenção da arte por arte.

Você pode baixar todas as músicas no site oficial.

Lula Lambert
Sobre o autor

Um roqueiro dividido entre a guitarra e o piano. Um pouco baiano, um pouco mineiro, um sangue paraibano no sobrenome estrangeiro. Estudante do curso de Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba. Apaixonado por cinema, fotografia e carros antigos.

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