Foto: Camará/Divulgação

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Entre a composição de uma música até o momento de escutar a canção pronta se leva algum tempo. O processo, muitas vezes cansativo e desgastante, se torna uma metáfora para a própria vida. São momentos de felicidade, incertezas, calmaria, agitação… Com o ideal de que o amanhã precisa ser melhor do que hoje, precisa amadurecer. Tudo isso numa fácil percepção que muitas vezes nem nos damos o prazer de notar pela correria desenfreada que é estar vivo e experimentar a cada momento. Pois bem, a nova obra do Camará – Bonsai – é a síntese dessa simplicidade tão complexa.

O Camará, duo paulista formado desde 2012 por Victor Cremasco (voz) e Raphael Amoroso (violão), lança seu segundo trabalho intitulado Bonsai com a mesma honestidade musical singela e pura do trabalho de estreia homônimo. Porém, com uma pluralidade que parece ter amadurecido em cada verso e melodia das 11 faixas desse novo álbum. Eles são acompanhados por instrumentistas que acrescentam ainda mais a multiplicidade sonora como Roberto Federicci, pelo baixista Jorginho da Silva e pelo baterista Ruiz Mattos.

A sensação em cada faixa é de uma leveza que o mundo ao redor parece te dar uma pausa. É o querer embrulhar esse sentimento e dar de presente para as pessoas mais queridas terem a mesma experiência. As influências são aos habituais da nova música popular brasileira como Caetano Veloso, Chico Buarque, Ney Matogrosso, Elis Regina, além de outros traços como indie e jazz.

Entre as 11 músicas de Bonsai, destaco principalmente “Quarta-feira”, “Samba do Chá” e “Vem ver”. Essas canções apresentam um compasso tão belo quanto a melodia que se torna um próprio convite a conhecer mais o trabalho do grupo. Também merecem destaque “Chão”, “Valsa pra Lua” e “Há braço”. Acredito que poderiam ter melhorado as faixas “Gracias” e “Riquixá”, mas que não deixam de ser composições interessantes. Por fim, a minha preferida é a que dá nome ao álbum, “Bonsai”. É a música que apresenta toda a temática do cd e conta com um poema belíssimo escrito e recitado pelo escritor angolano José Eduardo Agualusa.

O trabalho do duo nada mais é do que a perfeita harmonia entre gêneros da música brasileira. A sinceridade com que passam as suas canções fazem as letras se entrelaçarem com a melodia quase em transe contemplativo momentâneo. É uma experiência única que recomendo aos que estão nesse processo simples e complexo que é a vida.

Igor Duarte
Sobre o autor

Um dos inúmeros baianos que nasceram em Pernambuco e ainda se consideram paraibanos. Jornalista formado pela Universidade Federal da Paraíba e que finge saber alguma coisa, inclusive tocar violão. Com ouvidos bem atentos de System of a Down até a Banda Sedutora.

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